Preconceito contra depressão e bipolaridade

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Duas pessoas das minhas relações tiveram um desentendimento e uma delas justificou o fato acusando a outra de ser bipolar. Sendo que a pessoa em questão não tem nenhum diagnóstico de bipolaridade. No Brasil, o termo “bipolar” virou sinônimo de pessoa agressiva. Principalmente ao fazer referência a mulheres ciumentas do tipo que arrebentam os vidros dos carros de seus parceiros. Preconceito dobrado. Algumas vezes dito em tom de ironia, e outras a sério. Muitos advogados na tentativa de amenizarem as penas de seus clientes alegam doença mental independente se esses as têm ou não. Argumentam que o réu estava deprimido. Se uma pessoa com diagnóstico de depressão ou bipolaridade comete um crime violento, os jornalistas fazem questão de frisar esse aspecto. Como se a doença fosse a causa do ato. Muitas vezes fazendo referência ao abandono do tratamento. O que também não justifica determinadas atitudes. Doenças como a depressão, onde não existem sintomas psicóticos, não tornam ninguém violento. Isso é uma questão de caráter. Essa propaganda negativa só aumenta o preconceito; e faz com que nós, os doentes, que já sofremos com os estigmas de sermos portadores dessas doenças, soframos ainda mais. E também desestimulam outras pessoas que precisam a buscarem ajuda. Da mesma forma que criam a imagem do doente como perigoso. Mesmo quando o maior perigo que ele representa é para si mesmo.

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Mad in Portugal acolhe blogues de diversos autores. Estas publicações foram concebidas para servirem de fórum público de debate – em termos gerais – sobre a psiquiatria e os seus tratamentos. As opiniões expressas são as dos próprios autores.

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